
Duas empresas que ocupam posição central nas investigações envolvendo o Banco Master conseguiram alcançar uma valorização conjunta superior a R$ 45,5 bilhões
Essa fortuna bilionária foi construída com base em milhões de chamados “créditos de estoques de carbono”, que teriam origem em uma vasta área de floresta amazônica.
O problema é que essa terra, com cerca de 144 mil hectares e localizada no município de Apuí, no Amazonas, pertence à União e está oficialmente destinada a um projeto de assentamento agrário para reforma agrária desde os anos 1980. Por lei, áreas públicas desse tipo não podem ser usadas para gerar benefícios econômicos privados, como a criação desses créditos.
As empresas em questão são a Golden Green e a Global Carbon. Ambas são controladas por fundos de investimento administrados pela Reag, uma gestora que vem sendo investigada pela Polícia Federal em operações que apuram suspeitas de lavagem de dinheiro, inclusive com possíveis ligações ao crime organizado.
O mecanismo funcionou da seguinte forma: foi realizado um inventário de carbono na área por pesquisadores da Unesp (Universidade Estadual Paulista), que estimou um estoque de aproximadamente 169 milhões de toneladas de CO2 na floresta. Com base nessa estimativa, as empresas criaram unidades de “crédito de estoque de carbono” e atribuíram valores crescentes a elas ao longo dos anos.
Auditorias realizadas por grandes empresas internacionais, como Ernst Young, PwC e Crowe, aprovaram esses cálculos e atualizações de valor, elevando progressivamente o patrimônio declarado. Em alguns momentos, cada unidade chegou sendo avaliada em quase R$ 200. Com dezenas de milhões de unidades, os números totais explodiram: a Golden Green chegou a valer mais de R$ 14 bilhões, enquanto a Global Carbon, que começou em 2020 com capital social de apenas R$ 100, alcançou R$ 31 bilhões em 2024.
No entanto, esses créditos não existem de fato no mercado real. Créditos de carbono verdadeiros exigem reduções efetivas e comprovadas de emissões, certificação por programas reconhecidos internacionalmente e, principalmente, negociações reais. No caso dessas empresas, trata-se apenas de uma estimativa interna de estoque de carbono preservado, sem qualquer comprovação de venda ou lastro econômico real. Elas usaram instrumentos como Cédulas de Produto Rural (CPR) registradas até em escritório no exterior para dar aparência de segurança aos números.
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) confirmou que a área é pública e destinada exclusivamente à reforma agrária. Segundo o órgão, qualquer tentativa de comercializar ativos de carbono baseada nessa floresta é irregular e causa prejuízo à União. O Incra já adotou medidas administrativas e prepara ações judiciais para combater a situação.
A região de Apuí, no sul do Amazonas, é conhecida pelo avanço do desmatamento e pela prática de grilagem de terras, o que torna ainda mais questionável o uso de sua floresta como base para um negócio desse porte.
As empresas e os fundos envolvidos fazem parte da complexa rede financeira que está sendo investigada no âmbito do caso Master, embora a defesa do principal nome ligado ao banco afirme que ele não é diretamente cotista, gestor ou administrador dessas companhias.
Em resumo, o caso revela como estimativas internas de carbono em terras que não poderiam ser usadas para esse fim foram transformadas, por meio de auditorias e contabilidade criativa, em uma aparente fortuna de dezenas de bilhões de reais – um esquema que agora enfrenta questionamentos legais e regulatórios sérios.
Empresas ligadas ao caso master utilizam terras públicas da união para gerar r$ 45 bilhões em créditos de carbono#BancoMaster
– Diálogo Livreن (@dialogolivre) January 18, 2026
2 empresas que ocupam posição central nas investigações envolvendo o Banco Master conseguiram alcançar uma valorização superior a R$ 45,5 bilhões pic.twitter.com/0Ebzig8UJC
Publicado em 19/01/2026 00h47
Texto adaptado por IA (Grok) do original. Imagens de bibliotecas de imagens ou origem na legenda.
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