Corrida por delações no caso Banco Master acelera e coloca em xeque altas autoridades do judiciário e do poder politico

O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa – Foto: BRB/Divulgação

#Banco Master 

O escândalo que envolve o Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 por graves irregularidades financeiras, ganha novo fôlego com a disputa acirrada entre delatores

A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, investiga um esquema bilionário de fraudes em carteiras de crédito fictícias, lavagem de dinheiro e pagamento de propinas que teria movimentado mais de R$ 12 bilhões por meio do Banco de Brasília (BRB). O que antes parecia um caso restrito a operadores financeiros agora ameaça atingir diretamente ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e figuras do Centrão.

Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, foi preso pela segunda vez em 4 de março de 2026 e já assinou termo de confidencialidade com a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) para negociar uma colaboração premiada. Seu cunhado, Fabiano Zettel, também está no centro das investigações. Paralelamente, Paulo Henrique Costa (PH), ex-presidente do BRB, foi preso em 16 de abril de 2026 por suposta negociação de propina no valor de R$ 146 milhões em apartamentos de luxo em São Paulo, em troca de facilitar a compra do Master pelo banco público. Costa trocou de advogados e sinaliza disposição para delatar, criando uma “corrida? por acordos.

Especialistas e investigadores apontam que a delação de Vorcaro e Zettel estava alinhada para proteger certos nomes. A entrada de PH Costa como novo ator rompe esse equilíbrio. Como o acordo de colaboração exige informações “novas e relevantes? para ser validado, o ex-presidente do BRB – que atuava como operador direto dos pagamentos – pode entregar detalhes que os outros prefeririam omitir. Fontes ligadas às investigações indicam que, sem novidades concretas, o acordo de Vorcaro perde valor e pode ser anulado. Isso gera pressão para que todos revelem o máximo possível sobre o esquema.

O caso Master não se limita a fraudes bancárias. A PF apura repasses a políticos do Centrão, como Antônio Rueda e Ciro Nogueira, além do ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha, que teria discutido a aquisição do banco. O BRB, instituição estatal, teria liberado bilhões para operações fraudulentas enquanto Vorcaro mantinha controle indireto. A liquidação do Master pelo BC ocorreu após constatação de falta de liquidez e irregularidades graves, incluindo emissão de debêntures lastreadas em terrenos superavaliados e investimentos de fundos de pensão.

O que eleva o caso a patamar institucional é o envolvimento apontado de ministros do STF. Dias Toffoli recuou da relatoria do inquérito após revelações de laços familiares: empresa ligada aos irmãos do ministro teria negociado com fundos associados ao Master, e Toffoli chegou a viajar em jatinho com advogado do banco. Alexandre de Moraes também é citado em mensagens e contatos com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, sobre a operação de compra pelo BRB. Relatos indicam que o escritório de advocacia da esposa de Moraes manteve contrato milionário com o Master (cerca de R$ 129 milhões em três anos). Gilmar Mendes aparece no radar de investigações paralelas, embora sem detalhes públicos consolidados até o momento.

A PF e a PGR já possuem elementos suficientes para avançar mesmo sem delações completas, conforme decisão recente do ministro André Mendonça, relator do caso no STF. Isso reduz o poder de barganha dos investigados e aumenta o risco de que delatores “alinhados? percam benefícios se omitirem fatos. A competição entre PH Costa e o duo Vorcaro-Zettel transforma o processo em uma corrida: quem entregar mais sobre autoridades superiores sai na frente.

O escândalo remete ao fim da Lava Jato, quando investigações avançaram sobre relações entre corrupção e Judiciário. Na época, operações como a que envolvia advogados próximos ao STJ e STF contribuíram para frear o ímpeto da força-tarefa. Hoje, o Master revela um esquema sofisticado de engenharia financeira que contava com suposta conivência de reguladores e operadores do mercado. Fundos de pensão, como o Rioprevidência, perderam bilhões em investimentos de alto risco aprovados de forma atípica. A CVM e o BC enfrentam críticas por omissão ou demora em atuar.

Investigadores alertam que, para valer, qualquer delação deve incluir devolução de valores, localização de bens ocultos (imóveis, jatos, joias) e descrição completa da cadeia de comando. Vorcaro teria escondido quase R$ 5 bilhões em ativos. Sem isso, não há acordo. A PF já mapeou transferências, mensagens e contratos que ligam o banqueiro a decisores públicos.

O desdobramento mais explosivo é a possibilidade de que os ministros citados sejam formalmente investigados. Toffoli já se declarou impedido em fases do inquérito. Moraes nega irregularidades, afirmando que contatos com o BC tratavam de sanções internacionais contra ele. O relator atual, André Mendonça, é visto como garantista e tem atuado para manter prisões preventivas, sinalizando que a PF tem base sólida.

Enquanto Brasília vive o “fim de expediente? de um ciclo de impunidade – como definido por analistas “, o caso Master expõe fragilidades sistêmicas: bancos estatais usados como caixa, reguladores lentos e relações perigosas entre poder econômico e Judiciário. A corrida por delações pode acelerar a verdade ou, ao contrário, gerar mais controvérsias jurídicas. O que é certo é que o capítulo final ainda não foi escrito. Novas revelações devem surgir nos próximos dias ou semanas.


Publicado em 26/04/2026 21h10


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Texto adaptado por IA (Grok) do original. Imagens de bibliotecas de imagens ou origem na legenda.


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