Testemunha ocular sobrevive para contar sobre os protestos ”de bravura em outro nível” no irã

Uma grande multidão marcha por uma das principais avenidas de Mashhad, a segunda maior cidade do Irã, em 8 de janeiro de 2026.

#Irã 

Mona Bolouri, uma iraniano-canadense de 40 anos, viajou para o Irã no final de dezembro para visitar a família e acabou se encontrando no meio de intensos protestos que explodiram em Mashhad no dia 8 de janeiro

Ela descreve uma cena impressionante: uma multidão imensa ocupava completamente a Avenida Vekilabad, uma das principais da cidade, com pessoas ombro a ombro gritando contra o aiatolá Ali Khamenei e pedindo o retorno de Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã. Para ela, foi a coisa mais magnífica que já viu na vida – o tamanho da manifestação era tão grande que nem conseguia chegar à frente do cortejo.

Apesar de Mashhad ser considerada uma cidade conservadora, no início Mona se sentiu relativamente segura. Mas essa sensação desapareceu rapidamente quando as forças de segurança abriram fogo com balas reais e lançaram gás lacrimogêneo em quantidades enormes. O gás era tão denso que as pessoas ficavam desorientadas, perdiam a visão e mal conseguiam respirar. Ela própria precisou ser ajudada por desconhecidos para escapar dali, quase sem conseguir enxergar ou se locomover.

O que mais a marcou foi a coragem dos jovens manifestantes. Mesmo com tiros ecoando ao redor, eles continuavam avançando sem recuar. Mona, que se considera uma pessoa corajosa, disse que aqueles jovens estavam em “outro nível de bravura”. Ela se perguntava: “Eles não têm medo de morrer””.

Com a chegada da noite, a internet foi cortada, isolando completamente as comunicações. As ruas mudaram de aparência: sinais de trânsito e câmeras de vigilância foram removidos para dificultar a ação das forças motorizadas de segurança. Fogos queimavam em locais ligados ao regime, como bancos associados à Guarda Revolucionária, em atos que ela descreve como defensivos e calculados. Em certo momento, uma ambulância passou na contramão da multidão – depois ela descobriu que servia para transportar agentes de segurança.

Mona não viu mortes com os próprios olhos, mas presenciou manifestantes feridos sendo carregados enquanto os tiros continuavam. Familiares contaram que, na noite seguinte, a violência aumentou ainda mais, com disparos incessantes que ecoavam pelos bairros e deixavam idosos chorando de pavor.

O voo dela foi cancelado, e a família, apavorada, insistiu para que saísse o quanto antes. Ela conseguiu pegar um voo doméstico até Istambul e retornou ao Canadá apenas um dia antes de uma repressão ainda mais mortal. Agora, de volta em segurança, Mona acredita firmemente que o regime islâmico está com os dias contados. “Eu sei que acabou”, afirma com convicção. Ela nota uma diferença clara: enquanto no exterior as manifestações têm hesitações, dentro do Irã as pessoas estavam unidas e decididas, sem nenhuma dúvida sobre o que queriam.

Apesar do medo que sempre a impedia de falar publicamente – por receio de não poder mais voltar ao Irã “, hoje ela decide se manifestar abertamente, convencida de que o regime atual não sobreviverá. Para ela, a escala dos protestos, os pedidos explícitos por mudança de regime e a disposição de enfrentar balas ao vivo marcam um ponto sem volta na luta dos iranianos.


Publicado em 21/01/2026 05h40


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Texto adaptado por IA (Grok) do original. Imagens de bibliotecas de imagens ou origem na legenda.


Artigo original:


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