
O colapso do Banco Master, um banco de médio porte no Brasil, revelou uma rede de conexões que envolve políticos de diferentes espectros e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), abalando a confiança nas instituições e destacando problemas de imparcialidade no Judiciário e no sistema político brasileiro
Tudo começou quando Daniel Vorcaro assumiu a liderança do banco em 2019 e adotou uma estratégia agressiva de crescimento. Ele captava recursos oferecendo certificados de depósito com juros bem acima da média do mercado, o que atraía muitos investidores, mas escondia graves problemas de liquidez. Vorcaro vivia com luxo extravagante: comprava propriedades, jatos particulares, um hotel de alto padrão, um time de futebol e chegou a gastar mais de US$ 3 milhões na festa de 15 anos da filha.
A crise explodiu em setembro de 2025, quando Vorcaro tentou vender o banco ao BRB (Banco de Brasília), controlado pelo governo local. O Banco Central investigou a operação e descobriu que o Master não tinha liquidez real. O banco havia vendido carteiras de crédito sem valor real ao BRB por mais de R$ 12 bilhões (equivalente a mais de US$ 2 bilhões), inflando artificialmente seus números. Vorcaro foi preso ao tentar fugir para Dubai em um jato particular, e, em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) terá de cobrir entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões para ressarcir depositantes – o maior pagamento da história do fundo “, o que afetará bancos como Banco do Brasil, Caixa e Itaú.
O que transformou o caso em um escândalo maior foi o acesso ao celular de Vorcaro pela Polícia Federal, revelando contatos e contratos com figuras poderosas. O banco firmou um contrato de consultoria de US$ 24 milhões (cerca de R$ 129 milhões) por três anos com o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, com pagamentos mensais altos e de escopo vago. Moraes teria mantido contatos com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, antes da liquidação, embora negue irregularidades. O ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF, colocou sigilo sobre partes do inquérito, viajou em jato particular com advogado ligado ao banco e tem parentes com investimentos indiretos em empreendimentos relacionados ao cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel. Toffoli nega conhecimento ou envolvimento.
Políticos do Centrão, como o senador Ciro Nogueira, tentaram bloquear investigações no Congresso e pressionar contra o Banco Central. O governador de Brasília, Ibaneis Rocha, defendeu a compra pelo BRB apesar dos riscos. Do lado direito, Zettel, irmão da esposa de Vorcaro, foi o maior doador individual das campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022.
Do lado do governo atual, Vorcaro cultivou laços também. Em dezembro de 2024, o presidente Lula recebeu Vorcaro no Palácio do Planalto em uma reunião que durou cerca de uma hora e meia, com a presença de Guido Mantega (ex-ministro da Fazenda e consultor do banco, que recebia R$ 1 milhão por mês), Rui Costa, Alexandre Silveira e o próprio Galípolo (então indicado para o BC). Esse encontro não constou da agenda oficial de Lula, o que gerou críticas por falta de transparência. Além disso, o Banco Master pagou R$ 5,25 milhões (de um total de R$ 6,5 milhões) ao escritório de advocacia de Ricardo Lewandowski após ele assumir o cargo de Ministro da Justiça e Segurança Pública em janeiro de 2024. O contrato, assinado antes, continuou vigente, com pagamentos mensais de R$ 250 mil por consultoria jurídica e institucional estratégica, embora Lewandowski tenha deixado a sociedade do escritório ao tomar posse e alegue não ter atuado em casos.
Essas revelações reforçam a percepção de que elites financeiras, políticas e judiciais se entrelaçam de forma preocupante, com tentativas de proteção ao banco antes da quebra e questionamentos sobre conflitos de interesse no STF. O presidente do STF, Edson Fachin, propôs um código de ética mais rígido, mas a ideia foi rejeitada por colegas. O caso expõe fragilidades no sistema e pressiona por maior autonomia do Banco Central e transparência nas relações de poder em Brasília.
Publicado em 28/01/2026 11h25
Texto adaptado por IA (Grok) do original. Imagens de bibliotecas de imagens ou origem na legenda.
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