212 cristãos mantidos em campos de prisioneiros ao ar livre enquanto sequestros em massa devastam o sul de Kaduna, na Nigéria

Dorcas Nuhu sobreviveu a um longo cativeiro nas densas florestas. Foto de Mike Odeh James.

#Nigéria 

Na região sul do estado de Kaduna, no norte da Nigéria, comunidades cristãs enfrentam uma crise humanitária grave e crescente

Pelo menos 212 cristãos seguem presos em campos improvisados na mata, controlados por milicianos armados. Ativistas e sobreviventes descrevem essas condições como um “Auschwitz ao ar livre”, por causa da falta de abrigo decente, comida insuficiente, ausência de cuidados médicos e o sofrimento extremo imposto aos reféns, incluindo mulheres, crianças, idosos e líderes religiosos.

Essa onda de sequestros em massa se intensificou entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026, atingindo vários distritos como Chikun, Kachia, Kajuru, Zangon Kataf, Kagarko e Kauru. Os ataques geralmente acontecem à noite ou de forma coordenada: grupos armados, muitas vezes identificados por moradores como milícias Fulani com motivações jihadistas, invadem vilarejos, levam pessoas à força e as levam para esconderijos na floresta.

Um dos casos mais recentes ocorreu em 11 de fevereiro de 2026, quando homens armados atacaram as comunidades de Kutaho e Kugir, sequestrando 32 pessoas – entre elas um catequista e sua esposa grávida. As famílias receberam pedido de resgate de 20 milhões de nairas (cerca de US$ 14 mil), um valor altíssimo para comunidades pobres que muitas vezes precisam vender bens agrícolas ou pedir ajuda para tentar reunir o dinheiro. Em janeiro, outro ataque na comunidade de Ehwakya deixou um jovem morto e 42 moradores sequestrados, a maioria mulheres e idosos. Em Zangon Kataf, 50 pessoas foram levadas, e parte foi libertada após pagamento de 15 milhões de nairas. Já em Lere, 79 continuam em risco mesmo depois de resgates parciais.

Embora 165 reféns tenham sido libertados em 5 de fevereiro de 2026 após operações de segurança, o número total de pessoas sequestradas na região pode chegar a 1.400, segundo relatos de líderes locais. Especialistas estimam que até 7 mil pessoas estejam em cativeiro em sete estados nigerianos. A violência não é recente: desde 2012, o sul de Kaduna – uma área de cerca de 10 mil milhas quadradas com aproximadamente 5 milhões de cristãos – sofre ataques sistemáticos que muitos classificam como genocídio. Vilarejos foram abandonados, plantações destruídas e famílias inteiras deslocadas.

Líderes comunitários expressam desespero com a resposta do governo. Um chefe local contou que seções inteiras de sua comunidade foram destruídas, deixando as pessoas sem lugar seguro para ir. Outro relatou ter sido aconselhado a abandonar sua vila após sequestros de figuras importantes e invasão de terras. Há críticas fortes de que o governo não demonstra interesse real em interromper o ciclo de massacres e sequestros, e alguns defendem que jovens locais sejam armados para se defenderem desses “terroristas covardes”.

Embora autoridades neguem motivação religiosa e atribuam os crimes apenas à busca por dinheiro, testemunhas afirmam que os campos de cativeiro concentram principalmente cristãos. A situação revela a extrema vulnerabilidade dessas comunidades no meio de um conflito sectário antigo, que opõe o norte muçulmano ao cinturão cristão do centro do país. O caso reforça apelos internacionais por proteção mais eficaz aos cristãos perseguidos na Nigéria, em um cenário onde a impunidade parece persistir.


Publicado em 21/02/2026 01h25


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Texto adaptado por IA (Grok) do original. Imagens de bibliotecas de imagens ou origem na legenda.


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