A guerra de 15 anos do Boko Haram contra a educação cristã na Nigéria

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Há mais de 15 anos, desde 2009, o grupo extremista Boko Haram vem travando uma campanha violenta no nordeste da Nigéria contra tudo o que considera “educação ocidental”

O próprio nome do grupo, em hausa (língua local), significa “a educação ocidental é proibida”. Por isso, eles atacam sistematicamente escolas, matam professores, sequestram alunos e forçam o fechamento em massa de instituições de ensino. Essa estratégia não é aleatória: visa destruir especialmente a educação de estilo ocidental e cristã, que o grupo vê como uma ameaça à sua visão ideológica radical.

Mais de 1.400 escolas foram destruídas, centenas ficaram danificadas ou abandonadas, e milhares de professores e alunos foram mortos ou sequestrados. Como resultado, centenas de milhares de crianças – muitas delas de famílias cristãs, alvos frequentes das invasões do grupo – crescem sem frequentar a escola regularmente. Em acampamentos de deslocados nos estados de Borno, Yobe e Adamawa, estima-se que cerca de 69% das crianças em idade escolar não tenham acesso a aulas, segundo dados recentes da UNICEF. A Nigéria já tem uma das maiores populações de crianças fora da escola no mundo, e essa violência agrava ainda mais o problema.

Meninas sofrem de forma ainda mais intensa. Pais e comunidades muitas vezes as retiram das escolas por medo de sequestros e violência sexual, o que aprofunda a desigualdade de gênero por gerações. Histórias pessoais ilustram essa tragédia: Yohanna Emmanuel, um menino cristão de 13 anos do condado de Gwoza, perto da fronteira com Camarões, perdeu o pai em um ataque do Boko Haram. Depois, sua mãe morreu durante o deslocamento forçado. Ele vive em um acampamento de deslocados internos e só conseguiu estudar por um ano na vida. “Quando penso em outras crianças indo à escola, fico muito triste. Eu quero aprender”, desabafa o garoto. Seu tutor explica que, depois da morte do pai, a prioridade da família passou sendo simplesmente sobreviver e colocar comida na mesa, deixando a educação em segundo plano.

Especialistas alertam que essa destruição da educação é uma arma estratégica. Sem escola, as crianças ficam mais vulneráveis ao recrutamento pelos próprios militantes, à pobreza extrema e à falta de oportunidades. Muitos jovens acabam se juntando ao grupo por desespero econômico, coerção ou promessas de sustento. Assim, o Boko Haram não só destrói o presente, mas também compromete o futuro da região, criando uma geração sem instrução formal, mais suscetível à instabilidade e ao extremismo.

Do lado das autoridades, operações militares conseguiram alguns avanços recentes, como a prisão de fornecedores logísticos importantes do grupo, enfraquecendo sua estrutura. Mesmo assim, reconstruir o sistema educacional exige muito mais: governança eficaz, recursos financeiros e planejamento de longo prazo. Enquanto isso, organizações humanitárias defendem modelos alternativos, como programas informais de alfabetização, para garantir que as crianças pelo menos aprendam o básico e tenham alguma chance de progredir no futuro.

Em resumo, a guerra do Boko Haram contra a educação não é apenas um ataque a prédios e livros: é uma tentativa de moldar o futuro ideológico, religioso e econômico do nordeste nigeriano, apagando oportunidades de milhões de crianças, especialmente as cristãs, e plantando sementes de mais violência e pobreza por décadas.


Publicado em 23/02/2026 02h13


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Texto adaptado por IA (Grok) do original. Imagens de bibliotecas de imagens ou origem na legenda.


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