
O Irã atravessa hoje um dos períodos mais dramáticos de sua história moderna
Tudo ganhou força no final de dezembro de 2025, quando o rial, a moeda nacional, despencou para o nível mais baixo de todos os tempos em relação ao dólar. Essa queda brusca, aliada a uma inflação que ultrapassou 42% ao ano, jogou o país no caos. Mercadores fecharam lojas, famílias viram suas economias evaporarem e estudantes tomaram as ruas ao lado de moradores das regiões mais pobres. O que começou como protesto contra o custo de vida logo se transformou em gritos por liberdade e pela queda do regime.
O governo reagiu com força total. Relatos de organizações de direitos humanos falam em milhares de mortos e dezenas de milhares de presos. O New York Times descreveu como o desespero econômico se espalhou das grandes cidades para o interior, enquanto o Politico destacou que o regime nunca pareceu tão frágil desde sua fundação. Mas o problema não para na rua. O Irã vive o que analistas independentes chamam de “aritmética do colapso”: um ciclo de sete crises profundas que se alimentam umas das outras, acelerando a destruição como um redemoinho impossível de parar.
A guerra curta mas devastadora de junho de 2025 contra Israel e os Estados Unidos destruiu parte importante das instalações nucleares e enfraqueceu gravemente as forças armadas. As sanções internacionais cortaram quase totalmente a venda de petróleo, principal fonte de dinheiro do país. Bancos grandes estão à beira da falência, a crise de água ameaça deixar partes de Teerã sem abastecimento e a corrupção endêmica drena o que ainda resta de recursos. Cada problema piora o seguinte: sem dinheiro, o governo não consegue consertar a infraestrutura; sem água, a população fica mais revoltada; sem estabilidade, os investidores fogem e a moeda cai ainda mais. Nem mesmo o fim total das sanções conseguiria reverter esse laço, porque as feridas internas são agora estruturais.
Enquanto o país sangra por dentro, potências externas jogam um jogo calculado. Segundo o New York Times e o Politico, a Rússia entregou ao Irã o plano completo de um possível ataque americano – alvos, horários, tudo. Pouco antes, Moscou fechou um contrato de 500 milhões de euros para vender sistemas de defesa aérea avançados, exatamente o que Teerã precisava para se proteger de aviões e drones. Ao mesmo tempo, a China se prepara para fornecer mísseis antinavio supersônicos capazes de ameaçar os porta-aviões e destroyers americanos no Golfo Pérsico. Imagens de satélite e bases americanas circulam abertamente em redes chinesas, como se alguém quisesse que o adversário soubesse exatamente onde está.
Não se trata de amizade ou aliança formal. Rússia e China não pretendem salvar o regime iraniano. Elas o usam como instrumento. Cada míssil Tomahawk que os Estados Unidos gastarem no Irã será um míssil a menos disponível para outros cenários, como uma eventual crise em Taiwan. Cada dia de operação naval no Golfo drena estoques de munição que demoram anos para serem repostos. O Irã vira um laboratório vivo: armado o suficiente para sangrar o adversário, informado o suficiente para não ser destruído de uma vez, mas nunca forte o bastante para vencer sozinho. O objetivo é simples – fazer com que qualquer vitória americana custe tanto que os Estados Unidos pensem duas vezes antes de repetir a dose em outro lugar.
Os mercados ainda não entenderam a gravidade. O preço do petróleo inclui apenas um pequeno prêmio de risco, como se o pior que pudesse acontecer fosse um ataque cirúrgico limitado. Mas a realidade é outra. A Turquia, vizinha preocupada, já planeja operações militares dentro do território iraniano caso surja um vácuo de poder. Isso não acontece quando se espera apenas bombardeios pontuais; acontece quando se prevê colapso de Estado, ondas de refugiados e instabilidade nas fronteiras.
Enquanto isso, a diplomacia segue em paralelo. Reuniões em Genebra e Viena tentam ganhar tempo, mas o relógio corre. O presidente Donald Trump deve tomar uma decisão crucial nos próximos dias sobre possíveis ações militares. De um lado, um regime que reprime seu povo e ameaça a região; do outro, o risco real de que o colapso gere um Oriente Médio ainda mais caótico.
O Irã de hoje mostra, em números cruéis, como crises econômicas, militares, ambientais e sociais podem se somar até romper qualquer sistema. O que acontece nas próximas semanas não decidirá apenas o futuro de 88 milhões de iranianos. Pode redefinir o equilíbrio de forças no mundo inteiro – e mostrar que, às vezes, o preço de intervir é tão alto quanto o preço de não intervir. O colapso não é mais uma possibilidade distante. Ele já começou sendo contado, dia após dia, na aritmética implacável que ninguém consegue ignorar.
Publicado em 27/02/2026 14h14
Texto adaptado por IA (Grok) do original. Imagens de bibliotecas de imagens ou origem na legenda.
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