
No final de 2025, o Brasil celebrou um marco no mercado de trabalho: a taxa de desemprego caiu para 5,1% no trimestre encerrado em dezembro, o menor nível desde o início da série histórica do IBGE, em 2012
A média anual ficou em 5,6%, uma redução significativa em relação aos 6,6% de 2024, e o governo destacou o recorde de mais de 103 milhões de pessoas ocupadas. Esses números, divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, foram recebidos com otimismo oficial, como sinal de recuperação econômica e criação de empregos.
No entanto, por trás dessa estatística oficial, surge uma discussão importante sobre o que esses percentuais realmente representam na vida cotidiana dos brasileiros. Analistas e críticos apontam que a metodologia usada pelo IBGE, embora tecnicamente correta, considera desempregada apenas a pessoa que não tem trabalho e procurou emprego ativamente nas últimas semanas. Isso deixa de fora milhões de indivíduos em situações precárias, que não entram na conta oficial e acabam “invisíveis” nas estatísticas.
Entre esses grupos estão os desalentados, pessoas que gostariam de trabalhar, mas desistiram de buscar vaga por acreditarem que não encontrarão oportunidades, seja por falta de qualificação, distância ou repetidas frustrações. Há também os subocupados, que trabalham poucas horas por semana e desejam mais, mas são classificados como ocupados mesmo enfrentando subemprego. Além disso, a alta informalidade, os trabalhos intermitentes e a dependência de programas sociais como o Bolsa Família contribuem para uma realidade em que muitos não têm renda estável ou direitos trabalhistas plenos.
Uma análise crítica, feita pelo professor e escritor David Gertner, radicado nos Estados Unidos, propõe um olhar mais amplo. Ao incluir esses grupos excluídos da força de trabalho restrita – cerca de 15 milhões de pessoas em condições de subutilização ou desalento “, o desemprego real poderia chegar a 16,6%. Esse número não pretende substituir o oficial, mas destacar como a exclusão metodológica mascara a extensão real do problema. Enquanto a taxa de desocupação oficial caiu, a taxa anual de subutilização da força de trabalho, que abrange desocupados, subocupados por insuficiência de horas e parte da força de trabalho potencial, registrou 14,5% em 2025, representando cerca de 16,6 milhões de pessoas – o menor da série, mas ainda um indicador de que o mercado de trabalho não absorve todos de forma plena e digna.
Essa diferença entre o dado oficial e a percepção da sociedade reflete um debate maior. Para alguns, os números baixos mostram avanços reais, com expansão da ocupação e redução da pressão por trabalho. Para outros, eles criam uma ilusão de prosperidade, pois ignoram o drama de quem vive de bicos, depende de auxílios ou simplesmente desistiu de sonhar com um emprego formal. O IBGE segue padrões internacionais, mas no contexto brasileiro, marcado por desigualdades e informalidade elevada, o recorte oficial pode subestimar a exclusão social e econômica.
O resultado é um paradoxo: enquanto o governo comemora recordes positivos, muitos brasileiros continuam sentindo na pele que o trabalho decente ainda falta. A verdadeira recuperação do mercado de trabalho exige não apenas números menores na desocupação, mas também qualidade nos empregos, redução da precariedade e inclusão real de quem hoje está à margem. Até que isso aconteça, a pergunta permanece: qual desemprego o Brasil está disposto a enxergar? O de 5,1%, que alegra as manchetes, ou o de 16,6%, que ecoa na realidade de milhões?
Publicado em 12/02/2026 01h53
Texto adaptado por IA (Grok) do original. Imagens de bibliotecas de imagens ou origem na legenda.
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